De além das montanhas De além das montanhas, De além do luar, Vêm formas estranhas. São gémeas do vento, São só pensamento. Mudam as entranhas De as ouvir passar. Cavalgada rindo Seu curso do além, Vem vindo, vem vindo, E tremem janelas, Velam-se as estrelas, (E) os ramos, rugindo, Falam como alguém. Mas, súbito, aragem Que perdeu o som, Cessou a passagem Do que tirou calma Aos ramos e à alma. Só se ouve a folhagem Num sussurro bom. E, abrindo a janela, Contemplo, a mal ver, Ao luar uma estrela Tão vaga, tão vaga, Que quase se apaga Quem sabe se ela Vai também levada, Qual tanta faltada, Nessa cavalgada Que passou sem ser?