Ora {{navegar |obra= |autor=Álvaro de Campos }} :Ora até que enfim..., perfeitamente... :Cá está ela! :Tenho a loucura exatamente na cabeça. :Meu coração estourou como uma bomba de pataco, :E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima... :Graças a Deus que estou doido! :Que tudo quanto dei me voltou em lixo, :E, como cuspo atirado ao vento, :Me dispersou pela cara livre! :Que tudo quanto fui se me atou aos pés, :Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma! :Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta :E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada! :Graças a Deus, porque, como na bebedeira, :Isto é uma solução. :Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago! :Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos! :Poesia transcendental, já a fiz também! :Grandes raptos líricos, também já por cá passaram! :A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários — :Também não é novidade. :Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim... :Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o. :Com esforço, mas era para bom fim. :Ao menos era para um fim. :E assim como sou não tenho nem fim nem vida...