Não, não é cansaço... {{navegar |obra= |autor=Álvaro de Campos }} :Não, não é cansaço... :É uma quantidade de desilusão :Que se me entranha na espécie de pensar, :E um domingo às avessas :Do sentimento, :Um feriado passado no abismo... :Não, cansaço não é... :É eu estar existindo :E também o mundo, :Com tudo aquilo que contém, :Como tudo aquilo que nele se desdobra :E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais. :Não. Cansaço por quê? :É uma sensação abstrata :Da vida concreta — :Qualquer coisa como um grito :Por dar, :Qualquer coisa como uma angústia :Por sofrer, :Ou por sofrer completamente, :Ou por sofrer como... :Sim, ou por sofrer como... :Isso mesmo, como... :Como quê?... :Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. :(Ai, cegos que cantam na rua, :Que formidável realejo :Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!) :Porque oiço, vejo. :Confesso: é cansaço!...