Quando

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|autor=Álvaro de Campos
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:Quando olho para mim não me percebo.
:Tenho tanto a mania de sentir
:Que me extravio às vezes ao sair
:Das próprias sensações que eu recebo.

:O ar que respiro, este licor que bebo,
:Pertencem ao meu modo de existir,
:E eu nunca sei como hei de concluir
:As sensações que a meu pesar concebo.

:Nem nunca, propriamente reparei,
:Se na verdade sinto o que sinto.  Eu
:Serei tal qual pareço em mim?  Serei

:Tal qual me julgo verdadeiramente?
:Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu, 
:Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
