O Esplendor

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|autor=Álvaro de Campos
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:E o esplendor dos mapas, caminho abstrato para a imaginação concreta,  
:Letras e riscos irregulares abrindo para a maravilha. 

:O que de sonho jaz nas encadernações vetustas, 
:Nas assinaturas complicadas (ou tão simples e esguias) dos velhos livros. 

:(Tinta remota e desbotada aqui presente para além da morte,  
:O que de negado à nossa vida quotidiana vem nas ilustrações,  
:O que certas gravuras de anúncios sem querer anunciam. 

:Tudo quanto sugere, ou exprime o que não exprime,  
:Tudo o que diz o que não diz, 
:E a alma sonha, diferente e distraída. 

:Ó enigma visível do tempo, o nada vivo em que estamos!
