EPIGR [ AMA ] A um entendedor... Um dia, tendo comichões De nos fazer maior partida A Asneira fez as religiões. Tempos depois, estando de vê-las Um tanto ou quanto aborrecida, A Asneira pôs-se a desfazê-las. 24-11-1909 Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa . Teresa Rita Lopes. Lisboa: Estampa, 1990. - 181. SONHO DE GÓRGIAS Sonhei uma cidade eterna e colossal Fora da sensação e ideia de existir À qual nem o amor saberia sorrir Tão estranha ao que nós alcunhamos real. [...] O ceptro do Horror caíra dalgum braço E jaziam ao pé ocamente partidas As estátuas do Ser, e do Tempo, e do Espaço. s.d. Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa . Teresa Rita Lopes. Lisboa: Estampa, 1990. - 182. Carlos Otto TRATADO DE LUTA LIVRE Método Yvetot. Pane I - Golpes simples - ataque e defesa. Parte II - Golpes combinados - ataque e defesa. Método Yvetot. frontispício: foto. de Yvetot. pág. 1. foto. de Carlos Otto. fotog[rafias] ilustrando a obra: Carlos Otto e Georges Barrère. Luta. 3 maneiras de aplicar uma rasteira: (1) em baixo, perto do pé. (2) a meio (barriga) da perna. (3) ao [meio] oposto ao joelho. Notas (1) deve haver cuidado em aplicar, visto ser a defesa muito fácil - a saber: levantar o adversário o pé, passando o golpe por baixo, em falso. Há 3 modos de se defender de uma rasteira: - (1) levantando a perna, para que a perna do adversário passe em falso. (2) resistindo à rasteira (depois se dirão os métodos). (3) ajudando-a em aparência, mas, como no j[iu]-j[itsu], servindo-se d'ela para d'ela se defender. 3 géneros de golpe de perna: - (1) a rasteira, i[sto ] é. pancada com a perna para fazer cair. (2) a prisão (dita, inferior) para com impulso dos braços fazer cair. (3) a rasteira fixa, misto de «prisão inferior» e de rasteira propriamente dita, consistindo em, com a perna, prender, em gancho, etc., ajudando o movimento abatedor dos braços (na prisão inferior não se dá esta ajuda pois a perna está fixa; e, na rasteira simples, o adversário é atirado ao chão simplesmente pela acção da perna e não com os braços.) A rasteira pode ser: (1) frontal (anterior - dada na parte de diante da perna). (2) lateral, [dada] no lado. (3) posterior [dada] na parte de trás. Com o pé empregam-se 3 golpes (1) o pontapé (2) a savate (incluindo o «coice»). (3) a (…) (compreendendo a rasteira). A rasteira pode ser dada: (1) de fora para dentro. (2) de dentro para fora. (3) (...) Qualquer golpe na luta tem por fim (1) ferir, agredir o adversário. (2) repelir o adversário. (3) dominar o adversário. e[xempli] g [ rafia] com o pé (1) o pontapé. (2) a savate. (3) a rasteira. No 1.º caso, que tanto pode ser atacando como em defesa própria, há o fim de maltratar o adversário. No 2.º também se maltrata mas aí o fim é evitar, maltratando-o, que ele nos maltrate. O 1.º é propriamente um ataque, ainda que se empregue como defesa; o 2.º é propriamente um método de defesa, ainda que o usemos para ataque. - No 3.º caso trata-se de ou defendendo-se impedir o adversário de fazer mal, sem lhe fazer nenhum, ou, atacando-o, colocá-lo de modo que ele se não possa defender, sem propriamente em ambos os casos ter propósito de de qualquer forma o maltratar. s.d. Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa . Teresa Rita Lopes. Lisboa: Estampa, 1990. - 183.